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    Oi, eu sou o Erick

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    YaacovB
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    Oi, eu sou o Erick

    Mensagem por YaacovB em Sex Jul 20, 2012 8:55 pm

    Então, galera, essa aqui era pra ser uma história sobre lobisomens. O personagem principal, que é também o narrador, deveria chegar a se tornar um lobisomem, era para a história ser dividida em episódios e esse seria o primeiro. Mas até agora é o único. Bem, meus queridos, está aí para vocês.

    Spoiler:
    O sol ainda não havia se levantado, mas eu já estava de olhos abertos, deitado em minha cama. Eu tentei voltar a dormir, porque não queria me levantar, mas estava ansioso demais, pois sei o que vai acontecer hoje, e eu mal posso esperar. Sai da cama lentamente – e com muito frio – e fui ao banheiro lavar meu rosto. O espelho refletia meu rosto, que eu mal podia ver com minha vista embaçada. “Como sou parecido com meu pai”, eu pensei, “os olhos azuis bem claros, a pele branca e o corpo. Menos meu cabelo, que é loiro”, o do meu pai é castanho, “o cabelo eu puxei de minha mãe”.
    – Hoje é o seu dia, garoto. – eu disse, sorrindo para mim mesmo no espelho, já com a vista melhor.
    Eu escovei meus dentes pelo menos umas três vezes esta manhã, e em seguida tomei o ótimo banho quente que sempre me deixa de bom humor, e até cantei no chuveiro. Vesti a melhor roupa que eu tinha. Aquela camisa preta com estampa de caveira, e a bermuda jeans bem surrada, além das pulseiras e da corrente de prata. A roupa que eu sabia que ela gostava de me ver no colégio, coloquei um pouco mais de perfume e passei o gel no cabelo pra deixá-lo espetado para cima, o estilo badboy que eu sei que ela curte.
    Saí do meu quarto e, enquanto eu descia as escadas, eu planejava o meu dia. “Primeiro vou levá-la para comer algo que ela goste, depois vou levá-la para uma loja especial de doces, vou levá-la para passear no parque e levá-la para o carro, e quanto estivermos no carro nós vamos fazer...”.
    – Erick. – meu pai chamou. Eu não percebi, mas já estava girando a maçaneta da porta.
    Ele e minha mãe estavam na cozinha, tomando café da manhã. Eu fui encontrá-los. Meu pai é o cara mais legal do mundo, que eu amo muito, ele sempre está ao meu lado, sempre faz de tudo para me agradar – como me emprestar o carro hoje à noite –, e eu o mesmo por ele.
    – Bom dia, filhão – ele disse –, sente aqui com a gente pra tomar café.
    – Foi mal, pai, mas eu quero chegar mais cedo ao colégio. – eu disse, me virando.
    – Filho, você precisa tomar café. – Disse minha mãe, a Ângela.
    – Foi mal aí, mas tenho que ir. – eu disse já na porta de casa.
    – Tenha um bom dia, filho. – disse o meu pai. O nome dele é Johnatan.
    Assim que cheguei ao ponto de ônibus, olhei a hora em meu relógio, era muito cedo, então decidi ir a pé para o Centro Educacional da cidade. E eu não conseguia tirá-la da cabeça, aquela menina linda com quem eu namoro há alguns meses, e sempre que estamos na hora H, ela encontra uma forma de fugir de mim e deixar para a próxima, mas hoje não! Hoje vai ser diferente. Mal posso esperar para ter a menina mais linda de todo o Centro Educacional em meus braços, cabelos loiros que brilham como ouro quando estão sob a luz do sol, o corpo de modelo perfeito, sem nada a adicionar nem nada a retirar, todo feito sob medida para mim, e hoje eu o terei colado ao meu corpo.
    Demorou menos que o normal para que eu chegasse ao Centro Educacional, acho que foi porque não prestei atenção nos meus passos, fiquei pensando nela. Senti-me como um rei chegando ao seu reino quando entrei pelo portão do centro, as garotas me olhavam e os meninos me cumprimentavam, eu conhecia todos – e não são poucos, porque o Centro Educacional de Morada Pequena é um complexo com vários colégios de ensino médio e fundamental, por isso tem mais gente do que qualquer outro lugar da cidade –, os rapazes estavam em frente ao primeiro colégio do Centro, bem perto do portão. Lá estavam Carlinhos, William e Pingo, o meu parceiro mais chegado – ou “melhor amigo”, como ele gosta de ser chamado.
    – E aí, Erick. – disse Carlinhos, sorrindo para mim. É sempre o primeiro a me ver e sempre o primeiro a me cumprimentar... A se oferecer pra fazer algo que realmente não necessito, a perguntar se estou namorando, a querer ser sempre mais intimo do que ele sempre será.
    – E aí, caras, como vão? – eu disse.
    – Tudo na paz, parceiro. – Disse William.
    – E aí, Erick, cadê a sua mina? – disse Pingo, sorrindo.
    – Eu vou ver se a encontro antes dos colégios abrirem. E a sua, Pingo, onde está? – eu disse num tom ousado só para provocá-lo.
    – Hannah ainda está chateada comigo, será que você não pode falar com ela por mim?
    – Mas é claro que... – e então eu a vi, a minha namorada, e não terminei a frase, fiquei olhando para ela, que estava sentada na caixa de pedra, perto da primeira praça.
    – Erick, Erick! – disse Carlinhos.
    – Carlinhos, não adianta, ele viu a namorada dele. – Pingo zombou.
    – Para com isso, Pingo. – eu ri.
    – Vai lá falar com ela, parceiro! – disse William.
    – É, vai lá. – disse Carlinhos, num tom um pouco sarcástico.
    Eu deixei meus parceiros e fui em direção a ela. Respirei fundo, contei meus passos, olhei para baixo para ter certeza de que nada em mim estava errado, passei levemente a mão no cabelo, o que a fez sorrir para mim, e abri os braços quando já estava perto. Ela se levantou e veio me abraçar. Ela me beijou de língua e... Nossa, que língua deliciosa. Na mesma hora fiquei excitado e desci um pouco demais a mão, ela me largou e se afastou rapidamente de mim. Deu-me aquele olhar insuportável que dizia “você errou, menos chance de eu sair com você hoje”.
    – E então, Rosa, vamos mesmo sair hoje?
    – Vamos, sim, Erick. – ela me respondeu, com um tom suave com o qual costuma falar comigo.
    – Ótimo, e sabe o que é melhor? – eu perguntei, num tom baixo, que a fez se aproximar um pouco para me ouvir falar.
    – O que, gatinho?
    – Meu pai vai me emprestar o carro hoje à noite, e nós vamos poder passar mais tempo juntos. – falei num tom com um pouco de malícia para que ela entendesse o que eu queria dizer, mas ela não pareceu ter percebido.
    – Que ótimo, então nossa noite vai ser perfeita. – ela disse. Então as amigas dela passaram por nós, o que queria dizer que o colégio onde ela estuda já ia abrir. – Meu amor, eu tenho que ir.
    Ela me deu um beijo no rosto e virou-se, mas eu segurei sua mão e a puxei de volta para mim, agarrei-a pela cintura e a beijei na boca, do jeito que ela gosta que eu faça. Eu então tive que deixá-la partir.
    Ela foi feita para mim, essa Rosa. É a garota que mais me faz pegar fogo. Há meses que estou namorando com ela e ainda não mudou nada, sempre que a beijo é como se fosse nosso primeiro beijo outra vez. Com todas as outras que namorei antes, elas faziam tudo o que eu queria, só porque achavam que assim iam me ter para sempre, mas não! Eu não gosto de nada que seja fácil demais, e a Rosa é a menina mais difícil que já namorei. Quantas vezes ela já disse “não” na melhor hora? Tudo porque ela não achava que era hora, ou porque não era o local certo. Sim, ela me deixa querendo mais, é o maior desafio que eu já tive, por isso estou sempre pensando nela, ela sempre “deixa para a próxima”, o que me faz ficar cada vez mais a fim dela, mais apaixonado.
    Eu fui para o meu colégio e passei o dia todo pensando nela. Desde a primeira até a ultima aula com ela na minha cabeça. No meu colégio há meninas lindas, lindas e legais, mas elas me conhecem e sabem que sempre dá problema namorar comigo, porque eu não fico muito tempo com uma – quer dizer, não ficava. Agora eu estou mais certinho. Na verdade, a maioria delas já teve o prazer de receber o meu beijo, poucas tiveram a honra de namorar comigo, e menos ainda mereceram conhecer minha cama. Algumas delas passaram a me odiar depois que eu as deixei, outras até hoje estão disponíveis à hora que eu quiser, mas o meu coração é só dela, da Rosa.
    Após as aulas eu fui para o banco da praça perto do meu colégio. Esperei bastante tempo, mas ela não veio. Estranhei isso, porque as amigas que estudam com ela estavam lá, menos ela, então decidi ligar para ela.
    – Oi, meu amor. – ela disse.
    – Eu estou aqui na praça te esperando, vem pra cá ficar comigo. – eu pedi num tom muito carente, que uso em momentos especiais para ela fazer qualquer coisa que eu pedir, quer dizer, quase qualquer coisa.
    – Erick, me desculpe, mas tive que ir embora mais cedo.
    – Ah, que pena – eu lamentei –, eu queria pelo menos ter te dado um beijo de até logo.
    – Não se preocupe, porque hoje à noite nós vamos poder nos beijar o quanto você quiser. – ela disse naquele tom médio entre malícia e brincadeira, que sempre me deixa confuso e sem saber o que esperar dela.
    – Vou esperar por isso. Te encontro às seis! – eu disse, e desliguei.
    Depois disso, a coisa mais chata do mundo era ficar ali, sentado no banco, eu não tinha mais nada pra ficar fazendo no Centro – claro, saber que a Rosa não está presente tira minha vontade de fazer qualquer coisa. Ah, claro, meus parceiros ainda estavam no Centro. Então fui procurá-los. Encontrei apenas o Pingo, na loja do ginásio. Ele comprou um lanche pra mim e eu fiquei de devolver o dinheiro depois. Em seguida fomos embora a pé, porque ainda ia demorar um pouco para o ônibus escolar sair.
    – Como foi com a Rosa? – ele perguntou discretamente, antes de virarmos a esquina.
    – Como foi? Não quer dizer “como vai ser”? – eu o corrigi já para ele notar que pode falar comigo normalmente sobre esse assunto.
    – Tá legal – ele sorriu –, como vai ser com a Rosa?
    – Hoje ela não me escapa, Pingo, é hoje! – eu disse sorrindo.
    – Ah, ta. Como foi na semana passada, na anterior e na antes dela, não é? – sarcástico ele, hein.
    – Cara, dessa vez é diferente, nós combinamos de fazermos quando tivermos chance, e hoje eu vou providenciar para que tenhamos! – expliquei.
    – E onde você vai levá-la? Sabe que seus pais estarão em casa e ela já te deu um fora quando estavam na casa dela... Diz aí, gênio. – ele disse assim que chegamos à frente a minha casa.
    – Ora, eu tenho meus truques. – eu disse num tom misterioso – Tchau, parceiro.
    – Tchau, amigo.
    Cheguei à minha casa – finalmente – e abri a porta. Meu pai estava na sala, no computador dele, fazendo as pesquisas que ele sempre costuma fazer sobre mitologia. Eu cheguei por trás e o toquei no ombro lentamente para assustá-lo. Deu certo, ele quase pulou da cadeira.
    – Erick! – ele disse sorrindo quando viu o autor da brincadeira, eu.
    – Oi, pai. – eu o abracei com força.
    – Como foi no colégio, filhão?
    – Ótimo. – eu disse, olhando para o chão, porque não foi ótimo no sentido “estudo”, e sim no sentido “Rosa”.
    – Hum, nada de notas baixas por causa de namoro, certo, Erick? – ele sentou-se na cadeira outra vez.
    – Certo. – eu disse, dando um passo na direção da escada, e depois parei e voltei. – Pai, você vai mesmo me emprestar o carro para eu sair com minha namorada, não é?
    – Claro, filho, mas, por favor, traga meu carro inteiro. – ele brincou.
    E então eu subi a escada, mas antes que eu chegasse ao ultimo degrau, minha mãe me chamou da cozinha.
    – Erick, não vai almoçar? – ela perguntou.
    – Agora não, mãe, mais tarde!
    Eu fui para meu quarto e larguei minha mochila na porta, como de costume. Tirei meus sapatos e deitei-me em minha cama para descansar um pouco e quem sabe tirar um cochilo. Abracei meu travesseiro e imaginei que fosse a Rosa – eu sei, ela não sai da minha cabeça –, imaginei que dormíamos juntos e que eu a abraçava por trás. Não demorou muito para meus olhos ficarem pesados e eu começar a cochilar, já podia até ver a hora da noite chegar. Quando de repente um barulho infernal me tira de meu cochilo, era minha prima Hannah.
    – Ai, droga, essa mochila aqui no meio do caminho. – ela reclamou ao tropeçar na minha mochila. – Erick, Erick, ta dormindo?
    – Você ainda pergunta? – eu disse de olhos fechados ainda.
    – Acorda aí, então. – ela pediu. – Não te vi no ônibus escolar, onde você esteve?
    – Vim embora com o seu namorado. – eu me sentei – A propósito, vocês ainda estão brigados, não é?
    – Claro que sim, eu não quero nem saber daquele tarado. – ela disse, e eu não consegui me segurar e ri alto.
    – Tá rindo de que, Erick? – ela reclamou com as mãos na cintura.
    – Ah, Hannah, você brigou com o Pingo só porque ele colocou a mão na sua...
    – Erick, nós namoramos há um mês. Por que ele já vem com essa intimidade toda? – ela andou até a janela do meu quarto. – Não! Eu não vou aceitar isso dele.
    – O que é isso, Hannah? – eu disse, atrás dela. – Uma mão boba não faz nenhum mal. – e coloquei minha mão na cintura dela. Ela me empurrou.
    – Erick, não comece com essas brincadeiras suas, por favor, você sabe que eu não gosto. – ela reclamou indo sentar-se na cama.
    – Ah, qual é? – eu murmurei – Para Rosa e eu isso não é nenhum problema, Hannah.
    – Mas para mim é o maior problema do mundo! – ela gritou.
    – Certo, tudo bem. – eu disse, rindo dela.
    Nós ficamos conversando por mais uma hora, depois do almoço ela foi embora e eu pude relaxar. Consegui dormir um pouco durante a tarde. Acordei-me com o cheiro do chão molhado por uma chuva leve pouco antes do sol se por. Abri a janela para aproveitar um pouco mais e fiquei olhando as pessoas na rua.
    Quando chegou a hora, eu tomei meu banho quente que tanto amo e vesti uma roupa casual, mas maneira. Uma camisa branca com um casaco preto por cima e uma calça jeans preta. O cabelo loiro espetado como sempre e um pouco de perfume, mas não muito, porque os beijos não serão apenas na boca hoje. Peguei a chave do carro com meu pai, que estava na sala assistindo TV, e saí de casa.
    Mais tarde, quando já era noite, parei o carro perto da casa da Rosa, já era hora de ela estar pronta, então liguei para ela.
    – E aí, Rosa, tá pronta? – eu perguntei pensando “diz que sim, diz que sim” repetidamente.
    – Sim. – ela disse – Eu estou te esperando já faz um tempinho, onde você está?
    – Me espera na porta de casa, já vou chegar. – eu disse, desligando o telefone.
    E eu dirigi até a frente da casa dela. Ela estava linda, com uma blusa vermelha e de saia. O pai dela estava ao lado dela, segurando-a pelo braço. Eu saí do carro e fui até eles. Ela me deu um sorriso, mas não andou nem um passo em minha direção.
    – Boa noite. – eu disse, cumprimentando o pai dela.
    – Cuide bem da minha filha, garoto, eu os deixo namorar, mas se fizer alguma coisa com ela, já sabe. – ele fez um sinal com a mão que me pareceu bem violento.
    – Pai, o que eu disse sobre falar desse jeito com o Erick? – Rosa reclamou. Ela me segurou pelo braço e me conduziu ao carro.
    Abri a porta para ela, só para ganhar um bônus com o coroa e, claro, com ela. Depois disso entrei no carro e comecei a dirigir. Não nos falamos por algum tempo. Naquele momento mesmo eu já estava com o coração batendo mais rápido que o normal e minhas mãos já estavam frias – o clima da noite estava frio, na verdade. Eu a olhava às vezes para admirá-la, ela sorria para mim. Enquanto não chegávamos, eu admirava as praças de Morada Pequena que passavam rápido ao meu lado, a cidade é rica em arquitetura antiga, tem muitos prédios da época da colonização. Sei disso porque meu pai também estuda a história da cidade.
    – Você está linda. – eu sussurrei.
    Ela apenas acariciou o meu rosto. Nós chegamos ao restaurante favorito dela, que eu ainda não havia levado. Quando saímos do carro e ela viu o lugar, quase não acreditou. O chão ainda estava um pouco molhado e soprava um vento frio. Ela segurou minha mão enquanto entrávamos. Comemos salada, bife, lasanha. Primeiro pedimos sobretudo de bacalhau, depois Migas de pastor. Ela não se expressou sobre gostar ou não da comida, mas também não perguntei, nem me expressei.
    Paguei a conta e saímos de mãos dadas da mesma forma que entramos. Não voltamos para o carro ainda. Caminhamos juntos por aquele lugar lindo, a grama molhada, o silêncio da noite, embora eu quisesse levá-la para uma loja de doces perto dali, aproveitei aquele lugar. Nós caminhamos até chegarmos a um parquinho infantil, com carrossel, barras de ferro e balanço. Cheguei perto de seu ouvido e lhe perguntei se ela gostaria que eu a empurrasse e ela me respondeu que sim, me segurando pela cintura. Ela sentou-se no balanço e eu comecei a empurrar. Nós estávamos sozinhos naquele parque, só o vento frio era nossa companhia, e a luz das estrelas era o que nos iluminava.
    – Erick. – ela disse, num tom muito baixo, eu quase não ouvi. Parei de balançar lentamente e a abracei. – Você me ama?
    – Amar? – eu indaguei, sem saber a resposta. Porque já havia dito tantas vezes que amava outras meninas, que nunca iria deixá-las, e mesmo assim foram apenas palavras vazias. Mas com a Rosa tudo era diferente, eu tinha certeza de que eu a amava. – Sim, eu te amo, Rosa, amo muito.
    Ela me beijou naquele instante de uma forma como nunca fez antes. Não sei quanto tempo durou, se foram segundos ou se foram horas, mas foi o melhor beijo da minha vida.
    Depois fomos para o carro, abri a porta de trás para ela, dessa vez mais naturalmente do que da ultima vez. Entrei em seguida já a beijando. Há meses eu esperava por aquele momento, que finalmente chegou. Finalmente, depois de todas as vezes que eu estive sozinho com ela e ela me disse “não”, depois de tantas vezes que ela disse “deixa para a próxima”, finalmente chegou o momento que eu mais esperei.
    Enquanto nos beijávamos, decidi arriscar, afinal eu não tinha nada a perder. Desci minha mão abaixo da cintura dela, sobre sua coxa. Ela rompeu o beijo e se afastou.
    – Erick, não faz isso! – ela pediu num tom que dizia exatamente o contrário. – Vamos deixar isso para depois.
    – Não. – eu disse, beijando-a. – Você prometeu que seria quando tivéssemos uma oportunidade. É hoje!
    – Ah, meu amor. – ela me disse enquanto eu beijava seu pescoço e descia lentamente. – Alguém pode aparecer e nos pegar no flagra. – eu ri.
    – Não se preocupe – eu disse, beijando seus seios por cima da roupa –, não tem ninguém na rua, e mesmo que houvesse alguém – eu mordi a gola de sua blusa para abaixá-la –, não poderiam nos ver aqui dentro.
    – Tudo bem, então, Erick. – ela me diz, me deixando mais excitado ainda, e quase suando.
    Eu a peguei em meu colo e acariciei todo o seu corpo enquanto beijava seu pescoço por trás. Minhas mãos subiram por sua coxa, passaram por debaixo de sua blusa e chegaram até seus seios. Então tentei tirar sua blusa, para poder fazer outras coisas. Mas, de repente, ela tira minha mão e sai do meu colo.
    – Não, Erick. – ela disse. dessa vez estava realmente decidida.
    Não? Não? No meio do ato, ela me diz não? Eu digo não!
    – Para com isso, Rosa. Você prometeu. – eu disse, naquele tom que uso para conseguir qualquer coisa dela.
    – Por favor, hoje não, Erick. – ela me pediu, um pouco menos decidida que antes. Se eu insistisse mais um pouco, quem sabe, não é? E se eu usasse as emoções dela contra ela?
    – Então é melhor não! – eu disse, tentando parecer o mais chateado possível. Na verdade eu estava mesmo era ansioso, porque para mim era como estar na ultima fase de um jogo, no ultimo chefão. – É melhor a gente não combinar mais de fazer isso. Se você não quer transar comigo, só precisa dizer.
    – Não é isso, Erick. – Ela disse, olhando pelo vidro do carro. – Na verdade, eu só faria se fosse com você, mas não aqui no carro do seu pai.
    – Qual é o problema, Rosa? – eu disse, segurando-a pela cintura e chegando bem no seu ouvido. – É melhor fazer aqui no carro do que não fazer, não acha? – eu sussurrei.
    – Mas eu não vou gostar de me lembrar que minha primeira vez foi num carro. – ela sorriu para mim. – Mesmo que fosse com o cara que eu amo.
    – Tudo bem, Rosa, você venceu. – eu desisti, agora sim estava realmente chateado.
    Não, naquela noite eu não consegui transar com ela. Levei-a para casa, não trocamos mais nenhuma palavra sobre o (quase) ocorrido. Quando cheguei a minha casa fui direto para minha cama, não falei com meus pais, nem eles vieram falar comigo. Passei um bom tempo olhando para o teto, repetindo centenas de vezes as cenas que se passaram e tentando ver o que eu fiz de errado. Onde eu vacilei para receber um “não” como o de hoje? Quem sabe não fosse mesmo a hora. Pensei no que eu iria fazer depois disso. Normalmente eu terminaria o namoro, mas me lembrei que eu havia dito que a amava, e eu não queria magoá-la. Mas nem tudo está perdido. Naquela noite apaguei tudo da memória e decidi recomeçar. Não guardei mágoa, nem fiquei chateado. Já estava planejando o próximo jogo.[/code]


    Bem, este seria o primeiro episódio, como eu disse, mas continua até hoje sendo o único. O que acharam?

    Naxus
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    Re: Oi, eu sou o Erick

    Mensagem por Naxus em Dom Jul 22, 2012 2:30 pm

    Olá camarada !
    Estava dando uma olhada e o texto está bom, bem divertido fiquei naquela curiosidade de quando e como ele iria se transformar em um licantropo (mais até agora ainda não cheguei nessa parte).
    É um texto com uma temática mais adolescente gostei muito.
    Está de parabéns e +Rep

      Data/hora atual: Dom Dez 04, 2016 12:00 am